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Dor de cabeça persistente pode ser enxaqueca, alerta neurologista da UNIFIPA
Eric Ribeiro
sexta, 20 de fevereiro, 2026

A enxaqueca não é apenas uma simples dor de cabeça ou uma crise forte de dor. É doença neurológica complexa que atinge mais de 30 milhões de brasileiros e afeta três vezes mais mulheres do que homens, principalmente entre os 30 e 50 anos. O impacto vai além do desconforto físico e pode comprometer trabalho, estudos e atividades simples do dia a dia. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica a enxaqueca como uma das doenças mais incapacitantes do mundo. Segundo o Global Burden of disease, a enxaqueca é a primeira causa de anos vividos com incapacidade dentre indivíduos de 15 a 49 anos, sobretudo nas mulheres. Durante uma crise, permanecer em ambientes iluminados, lidar com ruídos ou realizar esforço físico pode se tornar praticamente impossível.

De acordo com a docente de Neurologia e Semiologia da UNIFIPA, dra. Eliana Melhado, a enxaqueca ainda é subestimada por muitas pessoas. “Muita gente acredita que é apenas uma dor de cabeça simples e forte, mas estamos falando de uma doença neurológica crônica de fundo genético, que pode ser altamente incapacitante e impactar profundamente a qualidade de vida. O cérebro da pessoa com essa condição apresenta hipersensibilidade a estímulos. Durante a crise, ocorre uma sequência de alterações neuroquímicas que provocam inflamação, liberação de CGRP (peptídeo relacionado ao gene da calcitonina) e dilatação dos vasos sanguíneos, gerando a dor pulsátil característica na maioria das vezes”, explica.

Ainda segundo a neurologista, reconhecer os sinais é fundamental para buscar ajuda. “Se a dor obriga a pessoa a interromper as atividades, procurar quarto escuro e evitar qualquer estímulo, isso é forte indicativo de enxaqueca. É importante lembrar também que os sintomas vão além da dor e a crise pode se dividir em fases. Inicialmente podem surgir sinais como bocejos repetidos, desejo por determinados alimentos, irritabilidade ou rigidez no pescoço (que são os chamados sintomas premonitórios). Em alguns casos (cerca de 30%) aparece a chamada aura, que são sintomas neurológicos temporários e reversíveis que antecedem ou acompanham a dor. A aura mais comum é a visual, quando a pessoa passa a enxergar pontos brilhantes, luzes piscando, linhas em zigue-zague ou áreas de visão embaçada. Também podem ocorrer formigamentos pelo corpo, dificuldade para falar ou sensação de fraqueza. Depois vem a fase da crise de dor, que dura de 4 a 72 horas, com dor latejante, geralmente de um lado da cabeça, piora com o movimento e com a presença frequente de náuseas, vômitos e sensibilidade intensa à luz, sons e cheiros. Após a crise é comum sensação de cansaço, dificuldade de concentração e mal-estar por até um dia”, destaca.

Na América Latina, a dor de cabeça crônica está entre as condições de saúde com maior impacto econômico entre as sete analisadas em oito países. No Brasil, os custos chegam a um valor equivalente a 1,6% do PIB, considerando gastos diretos com atendimento e tratamento, além de prejuízos indiretos, como presenteísmo e absenteísmo no trabalho.

Dra. Eliana Melhado, neurologista, membro Titular da Academia Brasileira de Neurologia, reforça que a prevenção é possível e começa pela identificação da frequência das crises: “Se você tiver mais que três dores de cabeça por mês, procure ajuda médica para prevenção. Já em relação aos gatilhos, eles existem, mas a importância deles é relativa, pois eles variam de pessoa para pessoa, sendo que alguns são bastante comuns, como estresse, sono irregular ou insuficiente, oscilações hormonais, jejum prolongado e outros, como consumo excessivo de certos alimentos e bebidas, como queijos, chocolate, cafeína e álcool, especialmente vinho tinto são completamente individuais, necessitando de privação caso a caso. Luzes fortes, cheiros intensos, barulhos altos e mudanças bruscas de temperatura ou pressão atmosférica também podem desencadear crises. A partir do diagnóstico de enxaqueca é fundamental manter rotina regular de sono, não pular refeições, praticar atividade física e adotar estratégias para controlar o estresse (esses são pilares independentes de gatilhos, pois ajudam a efetividade do tratamento preventivo). Quando as crises são frequentes ou muito incapacitantes utilizamos medicamentos preventivos de uso contínuo para reduzir a intensidade e a recorrência dos episódios. É importante procurar avaliação médica sempre que as dores forem persistentes, intensas ou estiverem interferindo na rotina, para que o diagnóstico seja confirmado e o tratamento adequado seja iniciado”, orienta.

 

Foto: Divulgação FPA