Projeção indica alta expressiva nos casos de ELA até 2040; neurologista da UNIFIPA explica a gravidade da doença Eric Ribeiro sexta, 20 de fevereiro, 2026 O número de pessoas diagnosticadas com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) deve aumentar de forma expressiva nas próximas décadas. Uma pesquisa amplamente citada, publicada na revista científica Nature Communications, aponta que os casos no mundo passarão para 376.674 em 2040, o que representa crescimento de aproximadamente 69% em relação aos números de 2015. A principal explicação para esse avanço está no envelhecimento da população, já que a doença é mais prevalente entre pessoas com idade entre 55 e 75 anos. De acordo com a docente de Neurologia da UNIFIPA, Laura Alonso Matheus Montouro, é fundamental ampliar a conscientização sobre a doença, especialmente diante do envelhecimento da população e da possibilidade de novos tratamentos futuros. “As causas exatas ainda não são completamente conhecidas e apenas cerca de 10% dos casos têm origem genética comprovada, embora o risco seja maior quando há histórico familiar. Em 2023, o órgão americano de saúde FDA aprovou a primeira terapia gênica para uma forma de ELA genética associada ao gene SOD1 (20% de ELA genética) chamado Tofersen. Sabe-se que quanto antes for iniciado esse tratamento melhor são os resultados. Há uma expressão disseminada entre os neurologistas: Tempo é neurônio. Daí a importância de conseguir um diagnóstico precoce”, ressalta. Ainda segundo a neurologista, os sintomas da Esclerose Lateral Amiotrófica costumam aparecer de forma gradual e podem variar de pessoa para pessoa. “Os primeiros sinais geralmente são fraqueza muscular, dificuldade para segurar objetos, tropeços frequentes ou alteração na fala. Também podem surgir problemas para engolir alimentos e até falta de ar, à medida que a doença avança. Com o tempo, esses sintomas se intensificam porque a ELA compromete os neurônios responsáveis pelos movimentos - chamados de neurônio motor. Apesar das limitações físicas progressivas, o raciocínio e os sentidos, na maioria dos casos, permanecem preservados. Em relação ao diagnóstico ainda continua sendo um grande desafio, pois fraqueza muscular faz parte uma lista de doenças. Precisa de minuciosa avaliação clínica pelo médico e de certos exames complementares fundamentais: ressonâncias magnéticas e a eletroneuromiografia. No Brasil, em média, leva 13 meses para fechar o diagnóstico desta condição”, explica. Para a forma esporádica da doença há disponível no SUS o remédio chamado Riluzol, comprimido diário para tentar retardar as complicações finais da doença (ventilação invasiva e gastrostomia). A expectativa de vida dos pacientes diagnosticados ainda é considerada limitada. Em média, o óbito ocorre entre três e cinco anos depois da confirmação, embora cerca de 25% dos pacientes sobrevivam por mais de cinco anos. Foto: Divulgação FPA/PEXELS