Casos de Alzheimer podem triplicar até 2050; docente da UNIFIPA reforça sobre a importância do diagnóstico precoce e novos medicamentos Eric Ribeiro segunda, 23 de fevereiro, 2026 Dados do Ministério da Saúde apontam que cerca de dois milhões de brasileiros vivem hoje com Alzheimer, a forma mais comum de demência. A projeção é de que esse número possa triplicar até 2050, impulsionado principalmente pelo aumento da expectativa de vida. O diagnóstico precoce é apontado por especialistas como uma das principais ferramentas para enfrentar a doença. A especialista em doenças neuromusculares e eletroneuromiografia, docente da UNIFIPA, Dra. Laura Alonso Matheus Montouro, explica que identificar os primeiros sinais permite iniciar intervenções mais cedo e ampliar as possibilidades terapêuticas. “Hoje já dispomos de exames de imagem mais sensíveis, testes cognitivos padronizados e biomarcadores que ajudam a detectar alterações cerebrais antes mesmo de perdas graves de memória. Quanto mais cedo identificamos maiores são as chances de retardar a progressão e preservar a autonomia do paciente por mais tempo”, afirma. Dificuldade para planejar tarefas simples, repetir perguntas com frequência, se perder em trajetos conhecidos e apresentar mudanças de comportamento podem ser sinais de alerta. Estudos mais recentes também chamam atenção para manifestações menos óbvias, como perda de força, redução do apetite e lentificação da marcha, que podem estar associadas ao início do quadro. A neurologista ressalta ainda que embora a doença não tenha cura, a medicina tem avançado no campo do tratamento. “Em 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso do medicamento lecanemabe para fases iniciais do Alzheimer, ampliando as possibilidades terapêuticas. O fármaco atua reduzindo placas beta-amiloides no cérebro, visando retardar o declínio cognitivo, e deve ser administrado via infusão intravenosa a cada duas semanas”, destaca. Para além do tratamento medicamentoso, outras práticas são fundamentais para amenizar o avanço da doença e garantir mais qualidade de vida ao paciente. A prática regular de exercícios físicos, o estímulo cognitivo por meio de leitura, jogos e outras atividades intelectuais, além da convivência social ativa, por exemplo, são aliados tanto na prevenção quanto na estabilização do quadro. Para Laura Montouro, embora o envelhecimento seja um dos principais fatores de risco, manter estilo de vida saudável ao longo dos anos pode contribuir muito para reduzir as chances de desenvolver demência ou retardar seu aparecimento. Foto: Divulgação FPA/PEXELS