Atenção à pessoa idosa com Alzheimer deve começar no ambiente familiar, ressalta docente da UNIFIPA Eric Ribeiro terça, 24 de fevereiro, 2026 Atualmente, as pessoas idosas representam 14,6% da população brasileira e a faixa etária que mais cresce é a dos maiores de 80 anos. O aumento da longevidade é resultado de avanços na saúde e na qualidade de vida, mas também impõe novos desafios às famílias, principalmente diante das doenças associadas ao envelhecimento, como as demências — entre elas, o Alzheimer, uma das mais comuns. O diagnóstico não impacta apenas quem recebe a notícia, mas toda a estrutura familiar. Em muitos casos, o cuidado permanece dentro de casa, assumido por filhos, cônjuges ou outros parentes próximos, especialmente porque nem todas as famílias têm condições financeiras de contratar um cuidador profissional. Nessa realidade, a presença e o envolvimento familiar se tornam ainda mais essenciais. Segundo Isabella de Souza Lima Lebron, docente do curso de Medicina da UNIFIPA e Preceptora da enfermaria de Clínica Médica e Geriatria do Hospital Emílio Carlos, essa participação direta influencia no bem-estar do paciente. “Quando a família acompanha consultas, organiza os medicamentos, auxilia na alimentação e na higiene e observa as mudanças de comportamento, a pessoa idosa se sente mais segura e acolhida. O ambiente familiar oferece estabilidade emocional, algo fundamental no enfrentamento do Alzheimer”, afirma. Com a progressão da doença, a dependência aumenta e podem surgir alterações de humor, dificuldades de comunicação e maior fragilidade física. Em fases mais avançadas, o paciente também pode conviver com outras doenças crônicas, como hipertensão, diabetes, problemas cardíacos ou depressão, o que exige atenção redobrada e acompanhamento multidisciplinar. Para a geriatra, compreender que esquecimentos, repetições e mudanças de comportamento fazem parte do quadro clínico é um passo importante para tornar o cuidado mais equilibrado. “A informação reduz a ansiedade e ajuda a família a lidar com a rotina de forma mais tranquila. Além disso, é fundamental fortalecer uma rede de apoio, envolvendo outros parentes e buscando grupos de suporte e acompanhamento pelas equipes de saúde da família. Esse suporte faz diferença tanto para quem recebe quanto para quem oferece o cuidado”, orienta. Foto: Divulgação FPA/PEXELS